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quinta-feira, 23 de julho de 2009

A Moura Torta


A MOURA TORTA




Era uma vez um pai que tinha três filhos, e, não tendo outra coisa que lhes dar, deu a cada um uma laranja, quando eles quiseram sair de casa para ganhar a sua vida.
O pai lhes tinha recomendado que não abrissem as frutas senão em lugar onde houvesse água.
O mais velho dos moços, quando foi ver o que dava a sua sina, estando ainda perto de casa, não se conteve e abriu a sua laranja.
Pulou de dentro uma moça muito bonita, dizendo: "Dai-me água".
O rapaz não achava água; a moça caiu para trás e morreu.
O irmão do meio, quando chegou a sua vez, se achando não muito longe de casa, abriu também a laranja, e saiu de dentro uma moça ainda mais bonita do que a outra; pediu água, e o rapaz não achando água, ela caiu para trás e morreu.
Quando o caçula partiu para ganhar a sua vida, foi mais esperto e só abriu a sua laranja perto de uma fonte. No abrí-la pulou de dentro uma moça ainda mais bonita do que as duas primeiras, e foi dizendo: "Quero água". O moço foi à fonte, trouxe água e ela bebeu a se fartar. Mas a moça estava nua, e então o rapaz disse a ela que subisse em um pé de árvore que havia ali perto da fonte, enquanto ele ia buscar a roupa para lhe dar. A moça subiu e se escondeu nas ramagens.
Veio uma moura torta buscar água, e vendo na água o retrato de uma moça tão bonita, pensou que fosse o seu e pôs-se a dizer: "Que desaforo! Pois eu sendo uma moça tão bonita, andar carregando água…!" Atirou com o pote no chão e arrebentou-o. Chegando em casa sem água e nem pote levou uma repreensão muito forte, e a senhora mandou-a buscar água outra vez; mas na fonte fez o mesmo, e quebrou o outro pote. Terceira vez fez o mesmo, e a moça, não se podendo conter, deu uma gargalhada.
A moura torta, espantada, olhou para cima e disse: "Ah! É você, minha netinha!… Deixe eu lhe catar um piolho". E foi logo trepando pela árvore arriba, e foi catar a cabeça da moça. Espetou-lhe um alfinete, e a moça virou numa pombinha que voou! A moura torta então ficou no lugar dela. O moço, quando chegou, achou aquela mudança tamanha e estranhou; mas a moura torta lhe disse: "O que quer?
Foi o sol que me queimou!… Você custou tanto a vir me buscar!"
Partiram para o palácio, onde se casou. A pombinha então costumava voar por perto do palácio, e se punha no jardim a dizer: "Jardineiro, jardineiro, como vai o rei, meu senhor, com a sua moura torta?"
E fugia. Até que o jardineiro contou ao rei, que, meio desconfiado, mandou armar um laço de diamante para prendê-la, mas a pombinha não caiu.
Mandou armar um de ouro, e nada; um de prata, e nada; afinal, um de visgo, e ela caiu.
O jardineiro levou a pombinha ao rei , que muito a apreciou, pôs a catá-la, encontrou-lhe um carocinho na cabecinha. Pensando ser uma pulga, foi puxando, saiu o alfinete e surgiu aquela moça linda.
O rei reconheceu a sua bela princesa.
Casaram-se, e a moura torta morreu amarrada nos rabos de dois burros bravos lascada pelo meio.

Adaptação do conto popular

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